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Maior estudo do mundo com stents em diabéticos reafirma eficácia do tratamento padrão atual

stentsUm estudo internacional publicado na revista The Lancet, com participação do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC) da USP, testou a eficácia de dois stents farmacológicos em pacientes diabéticos submetidos à angioplastia coronária, procedimento feito para desobstruir artérias do coração. Os pequenos tubos feitos em metal, revestidos de medicamentos, são usados para manter abertos os vasos — evitando assim o surgimento de doenças como o infarto, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a hipertensão. O trabalho avançou

na comparação de dois dispositivos diferentes, reforçando o desempenho superior do padrão-ouro — como o melhor tratamento para uma condição, já utilizado na prática clínica, é chamado na medicina. No entanto, o estudo indica que as melhorias nos resultados clínicos a longo prazo ainda são insuficientes para pacientes com diabetes.

A equipe de pesquisadores comparou o stent Abluminus DES+, concebido por pesquisadores, e o stent XIENCE, o padrão-ouro para pacientes com doença arterial coronariana. Em dois anos de ensaio clínico com pacientes diabéticos, o novo protótipo apresentou uma taxa de falha de 9,7%, contra 6,2% do XIENCE. O objetivo do estudo era atingir o status de não inferioridade em relação ao padrão-ouro.

Os pesquisadores apostavam que o stent Abluminus DES+ seria capaz de entregar o medicamento de forma mais direta e eficiente nas paredes dos vasos sanguíneos do que o stent padrão. Na teoria, isso seria possível devido ao revestimento farmacológico do stent, que cobre as superfícies do dispositivo e, pela primeira vez, o balão utilizado para inflar as artérias. O medicamento usado, o sirolimus, também é uma nova aposta do estudo. O XIENCE, em contramão, utiliza o fármaco everolimus, e é o modelo padrão há quase 20 anos.

Para Alexandre Abizaid, professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e primeiro autor do artigo, os achados reforçam a dificuldade em otimizar a qualidade de vida de quem vive com o diabetes. “A tecnologia atual está extremamente avançada, mas não está resolvendo totalmente o problema do diabetes”, afirma ele em entrevista ao Jornal da USP. “Se o diabético recorrentemente têm mais doenças [cardiovasculares], tem mais infarto e óbito, significa que ainda não estamos fazendo um trabalho perfeito”.

Problemas cardiovasculares configuram a principal causa de adoecimento e mortalidade em pacientes com diabetes. A hiperglicemia, a resistência à insulina e os distúrbios metabólicos associados à doença facilitam vias pró-inflamatórias. Em diabéticos, a aterosclerose — que causa o acúmulo de gordura e o consequente estreitamento dos vasos sanguíneos — se apresenta mais agressivamente e com maior risco de reestenoses (reestreitamento dos vasos). O diabetes tipo 2 (DT2), em específico, é considerado um equivalente para o risco cardiovascular no meio clínico.

Veja mais: https://jornal.usp.br/ciencias/maior-estudo-do-mundo-com-stents-em-diabeticos-reafirma-eficacia-do-tratamento-padrao-atual/

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